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Mc Everson Anderson – “Extra, extra, extra! Mais um jovem é morto pela polícia na favela”

6 de julho de 2017

A Polícia Militar matou um jovem na Favela do Moinho, região central de São Paulo, no último dia 27 de junho. Leandro Souza Santos tinha 18 anos quando foi baleado por soldados da Rota, a tropa de elite da polícia no estado de São Paulo. O jovem estava em um barraco perto da sua casa quando foi morto. A PM estava na favela para uma ação contra drogas e disse que foi recebida a tiros por Leandro, mas os moradores contestam e dizem que ‘Chiclete’, como Leandro era conhecido, estava sob efeito de drogas quando foi abordado.

A ação policial foi acompanhada pela Pavio na reportagem “Favela do Moinho: um rap para Leandro, vítima da polícia”. Durante as gravações, o rapper Mc Everson Anderson, morador da comunidade, cantou a homenagem que fez a Leandro. Confira abaixo a letra, cantada na íntegra neste vídeo.

Extra, extra, extra, extra! Mais um jovem é morto pela polícia na favela

Em plena manhã, rua principal, viela estreita
Boinas, fardas características de quem tem opiniões próprias distorcidas sobre atitudes suspeitas
Vêm com a ideia de paz através de guerra
Visão de direita
Nos olhos da população jogam terra e agem à espreita
Helicópteros, armamento pesado, caos
Meu povo assustado sem Halls preto, nem peito aliviado
Vítima do gueto, mais um preto assassinado

Mais uma vez acontece na periferia
Lágrimas correm no rosto da família
Risos soam da burguesia
Dane-se se foi, ou se ao menos ia
Terra onde foda-se o que você é, o que importa é o que parecia

E era assim um adolescente que estava sob efeitos de entorpecentes
Não trocávamos muitas ideias, mas a quebrada sente o pior que foi morto
Inocente

Segundo os protetores da pátria amada
Foi consequência de um tiroteio
Mas até agora ninguém me mostrou de onde o suposto tiro que ele efetuou veio
Não tem prova, flagrante e nem certeza
‘Ele tem culpa?’

É uma ova! É frase feita de quem mata com frieza

Sacou o que meu povo atura?
Vamos rezar para que o martelinho do tribunal bata tão forte

Quanto bateram nele durante tortura
Mas o nosso país é bagunçado
Raro acontecer, mas luto
Enquanto isso, não paro
Até não prevalecer confirmações de quebrada em luto
Agora diz: ‘Olha só o moleque de dezessete com o coração ranzinza!’

Descobri de onde veio a ideia para o projeto Cidade Linda
Até combina, pois as autoridades que mataram ‘Chiclete’ também têm tons de cinza
Agora vai, truta! Essas ideias, abraça

O nome de quem foi morto a partir de hoje pra combinar com a corzinha vai ser ‘Fumaça’

Fatos explícitos debaixo do tapete perante a ação gravada

No jornal, dizem o que pensam
Mídia comprada
Imaginam situações, chegam a conclusões deselegantes
Na tremenda cara de pau

Fazem papo de pessoas sérias virar papo de comediante

Não entendem o receio de ser enquadrado
Sentimento é de incerteza se vou voltar pra casa com vida ou encaixotado
Pois não depende se estou devendo, ou não tenho nada
Depende se eles estão sóbrios e se vão com a minha cara

É todas essas fitas que faz com que eu fique ligeiro, maninho
São fatos de todas as quebradas, favelas do Brasil
Recentemente aconteceu no Moinho
Na quebrada onde vivo
Há muito tempo me divirto, ando
Que hoje se encontra em luto por que a polícia matou o eterno Leandro

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